Sobre a Educação Sentimental de uma Vampira

abril 22, 2008 at 12:27 am Deixe um comentário

Estou magra. Tão magra que ando assustando as pessoas. Tão magra que me perguntam se eu quero entrar em uma garrafa, tão magra que as pessoas começam a dizer que eu tenho que ganhar um pouco de peso. Não tinha reparado o quanto eu estava magra até ontem à noite. Depois de muita insistência de alguns amigos, fui coagida a me arrumar. E fui vasculhar o guarda-roupa. E lembrei da música dos Titãs “Eu não caibo mais nas roupas que eu cabia / Eu não encho mais a casa de alegria / Os anos se passaram enquanto eu dormia…”.

Era assim que eu me sentia até a data do meu aniversário e um pouco além dela também. Pela primeira vez em muitos anos, não quis comemorar meu aniversário, o que de acordo com uma amiga era resultado do meu inferno astral aliado efuzivamente por uma crise, a Crise dos 7. Na realidade se fosse realizar a conta na ponta do lápis seria a Crise dos 3×7 = 21. Sete anos de formada, sete anos de São Paulo e saindo dos 27 para os 28.

Estou melhor, já me sinto bem. As pessoas estranham meu jeito um pouco Dustin Hoffman em Raiman de ser. Não sou autista e tampouco sei fazer contas matemáticas complezas sem o auxílio de uma boa calculadora. Não sei o que é matriz. Não sei calcular porcentagem. Não sou boa com geometria. Não sei sobre a função social dos logarítimos ou seus congêneres. Mas sempre compreendi bem a noção de conjunto e as quatro operações fundamentais.

Tem uns tempos na vida que um conjunto de coisas desandam e começam a andar e entram em intersecção com algo que não deveria ter e quando tentamos tirar um pedaço fica assim, capenga. Estou começando de novo e recomeços são difíceis. Não espero que ninguém entenda o que eu não entendo. Pelo menos nesse novo “começo” tenho algumas coisas velhas que me fazem feliz. Uma delas são os meus amigos. Lindos. Problemáticos. Histéricos. Surtados. Complexos. Passeando na corda bamba como eu. Afinal de contas diga-me com quem andas e te direi quem és. Já diz o ditado popular. Gosto de velos sorrir. Gosto de saber que eles gostam de mim, ou melhor gostam de mim o suficiente para me aturar nos meus dias de sol e nos de chuva e trovões.

O melhor das crises ou de qualquer momento trash é quando se dá a passagem da tormenta, um ponto em qua começamos a escalar os tijolinhos de cimento que dão pro fundo do poço em direção ao foco de luz. Reforcei algumas coisas em mim e espero ter me despedido de outras. Sobre as coisas que levo, tem a lista do que “Eu Já Sei sobre mim”:

– Descobri que eu gosto de tirar e ver fotografias-conceito; que eu definitivamente odeio atum; que gosto de vodka e até consigo tomá-la pura com gelo; que eu não preciso dizer sim prá tudo ou todo mundo; que quem tiver que gostar de mim o fará e quem não gostar o fará também; beijar rapazes desconhecidos na balada é legal, mas é melhor beijar alguém de quem você queira ouvir falar depois; que sexo por sexo é bom, mas que eu prefiro com alguém que eu não queira chutar da minha cama 2 minutos depois do ato consumado; que você pode ficar emocionada por saber e ver, mesmo que por msn que uma das suas melhores amigas de infância deu à luz a menina com nome composto esquisito, mas com um apelido gracioso; que você sente saudades genuínas de pessoas que estão na sua vida faz muito ou pouco tempo; que a gente se apaixona e desapaixona e se apaixona de novo na velocidade da luz; que eu sou reservada demais, tanto que nem eu sei como me alcançar; que eu odeio Djavan, Seu Jorge é uma Fraude e Ana Carolina uma desgraça para os ouvidos; que eu amo filmes de lugares remotos, com tramas esquisitas e filmes franceses que não são remotos, mas tem finais completamente horríveis; que as pessoas confundem loucura com felicidade e que esquecem a diferença entre ouvir e escutar; que a minha diarista vive me dando bolo, mas eu continuo gostanto da maldita; que eu não só não consigo dormir cedo, mas gosto de dormir tarde o suficiente para às vezes ou muitas vezes ver as cores que se formam no céu ao nascer do sol.

Sobre o que eu não sei ? Acho que vou deixar para depois. Mas a questão básica da outra lista é tal qual o refrão de uma canção dos Los Hermanos:

– Quem é mais sentimental que eu ?

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