Archive for março, 2008

Sobre o desequilíbrio

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O amor entrou em casa, passeou pela sala, correu pela escada, subiu no telhado. Desequilibrou-se ao olhar para a lua. Caiu lá do alto e quebrou o pescoço, às 23hrs da noite de um dia qualquer.

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março 6, 2008 at 3:13 pm 3 comentários

Sobre o medo do medo que dá

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Eu sou uma menina caracteristicamente medrosa. Nunca consegui subir em árvore, telhados e coisas afins. Tinha medo de me queimar ou perder a mão com fogos de artifício. Tinha medo de ser atropelada, do fim do mundo, de injeção e do garrafeiro – na minha infância um homem que recolhia garrafas na época em que elas eram todas de vidro retornável. Depois um pouco mais velha tinha medo da brincadeira da mesa branca ou a do copo, altura e de avião. Tinha medo de não passar no vestibular. Depois tive medo de morrer – o que de vez em quando me aflige – ou de gente que eu amo morrer. Até hoje o mais ridículo, eu sei, é o de borboletas. Eu as odeio e pornto.

Eu já tive medo do controle que a gente perde quando se apaixona ou como me diz uma grande amiga, eu tenho medo de perder o controle do incontrolável. O que isso quer dizer ? É que eu quero dar uma ordem na desordem. Nos sentimentos, nas pessoas. Meu racional sabota o meu emocional e eu sigo assim, sem rumo, sem paixões. Evitando o que tem de bom e me preservando do que há de mal.

Só que eu acho que encontrei alguém por quem vale a pena se descontrolar. Não me refiro a ficar louca, histérica, debilitada. Mas feliz por ter falado no telefone ou cruzado uma rua escura no meio da madrugada rumo ao nada. Somente de mãos dadas, sem trocar qualquer palavra entre uma baforada ou outra do cigarro Ducados.

Tenho medo. Muito medo. Medo de me apaixonar e me entregar sem medo. Hoje não consegui falar com ele e tou engasgada. Queria que ele pudesse entender que sou estranha não porque eu quero. A culpa é do medo. Um pânico que me dá. Umas vozes do além ou da mesa ao lado que me dizem que tudo vai acabar mal. Ai Deus !! Me ajuda a fazer passar. Eu não quero correr pro lado oposto. Me faz persistir e esquecer esse companheiro de uma vida – 27 anos ao menos. Me dá uma bicuda prá frente, me ajuda a afastar, me ajuda a caminhar. É que eu ando com um medo de não parar de ter medo desse medo que dá.

março 4, 2008 at 2:22 am 1 comentário